Glossário

 

 

No momento nossa Wikipedia possui verbetes sobre Argumento da Linguagem Privada, Behaviorismo Metodológico, Causação Mental, Chalmers, Dennett, Dualismo, Memes, Funcionalismo, Materialismo Eliminativo, Qualia e Zumbis. Aguardamos novas contribuições. 

Argumento da linguagem privada.  Por Camila Jourdan.

Behaviorismo  metodologico. Por Diego Zílio e Kester Carrara

 

 

chalmers. Por Gustavo Leal Toledo.

Dennett, Daniel. Por Paulo Margutti. Clique aqui.

dualismo. Por Gustavo Leal Toledo.

fisicalismo. Por Jaegwon Kim.

memes . Por Gustavo Leal-Toledo

Funcionalismo -  Por João de Fernandes Teixeira.

 

  
O funcionalismo surge paralelamente ao aparecimento da inteligência artificial, nas décadas de 60 e 70. A noção de uma inteligência  artificial como realização de tarefas por dispositivos que não têm uma arquitetura nem uma  composição biológica e físico-química igual à nossa abala profundamente a idéia de que funções cognitivas dependeriam de formas ou arquiteturas/regiões específicas do cérebro. É isto que dá origem ao funcionalismo.
Uma noção intuitiva, mas ao mesmo tempo precisa do que é o funcionalismo nos é proporcionada por John Haugeland. Ele nos convida a considerar o que está envolvido em um jogo de xadrez, se são as regras do jogo e a posição das peças no tabuleiro ou se é o material, tamanho, etc de que é feito este último. Certamente são as regras e a posição das peças. Pouco importa se o bispo e o cavalo são feitos de madeira ou de metal, se o tabuleiro é grande ou é pequeno. Em outras palavras, o jogo de xadrez tem uma realidade independente do material que utilizamos para fazer as peças e o tabuleiro. Mas não haveria jogo de xadrez se não dispuséssemos de algum material para representar o tabuleiro, as peças, e as regras. Não podemos suprimir inteiramente o material com o qual construímos um tabuleiro e suas peças, mas podemos variá-lo quase indefinidamente. Ademais, as regras e estratégias do xadrez não serão redutíveis ao marfim se as peças forem desse material, tampouco ao plástico se elas forem de plástico e assim por diante.
            Façamos agora uma analogia entre jogo de xadrez e a mente. A idéia do funcionalista é que a mente não se reduz ao cérebro, da mesma maneira que no jogo de xadrez as regras e estratégias não se reduzem à composição físico-química do tabuleiro e das peças. O cérebro instancia uma mente, mas essa não é o cérebro nem se reduz a ele. Podemos agora perceber porque os pesquisadores da inteligência artificial apoiaram o funcionalismo, pois se tratava de apoiar a possibilidade de replicação mecânica de segmentos da atividade mental humana por dispositivos que não têm a mesma arquitetura nem a mesma composição biológica do cérebro.            
O aspecto mais interessante do funcionalismo é sua característica não-reducionista, do qual podemos derivar a chamada tese da múltipla instanciação (multiple realizability). De acordo com esta tese, dois computadores podem diferir fisicamente um do outro, mas isso não impede que eles possam rodar o mesmo software. Inversamente, dois computadores podem ser idênticos do ponto de vista físico, mas realizar tarefas inteiramente distintas se seu software for diferente. A mesma analogia vale para mentes e organismos: um mesmo papel funcional que caracteriza um determinado estado mental pode se instanciar em criaturas com sistemas nervosos completamente diferentes.  Um marciano pode ter um sistema nervoso completamente diferente do meu, mas se ele puder executar as mesmas funções que o meu, o marciano terá uma vida mental igual à minha. Isto é uma conseqüência do materialismo não-reducionista: um rádio (hardware) toca uma música (software); a música e o aparelho de rádio são coisas distintas, irredutíveis uma a outra, embora ambas sejam necessárias para que possamos ouvir uma música. Nunca poderemos descrever o que o rádio está tocando através do estudo das peças que o compõem.   
Materialismo Eliminativo  - Por Saulo de Freitas Araujo.
O materialismo eliminativo, que tem como seus principais representantes Paul e Patricia Churchland, consiste na aplicação à filosofia da mente de um amplo programa teórico, de natureza interdisciplinar, baseado sobretudo em princípios oriundos da filosofia da ciência e da filosofia da linguagem. No entanto, sobretudo a partir da década de 1990, o programa vem aumentando consideravelmente seu alcance, chegando a se estender também aos domínios da moral, da tecnologia, da arte e da política.
O ponto de partida do materialismo eliminativo pode ser buscado nos três princípios fundamentais daquilo que Paul Churchland chamou de "realismo científico": 1) não existe linguagem neutra, isto é, uma linguagem de observação pura; 2) todos os juízos de percepcao baseiam-se em uma teoria e são falíveis; 3) as disputas ontológicas devem ser resolvidas com base no sucesso das teorias.
Baseando-se nesses princípios, os eliminativistas afirmam que a teoria e o vocabulário tradicionais (folk psychology) que utilizamos para falar dos fenômenos psicológicos está comprometida com um dualismo mente-corpo, que é radicalmente falso e deve, portanto, ser futuramente eliminado por uma nova e amadurecida teoria neurocientífica. Assim como a química livrou-se no passado de entidades mitológicas como o "flogisto", a psicologia irá se libertar no futuro da ideía de "mente" como algo diferente do cérebro.
O materialismo eliminativo é uma reedição moderna do chamado "materialismo vulgar" do século XIX e repete, portanto, as mesmas inconsistências daquele, sobretudo a tendência a cair em um extremo idealismo e até mesmo no próprio animismo que pretendem combater. E mesmo se considerarmos suas inovações metodológicas (neuroimagem), o ideal de eliminacao nos conduz a um grande paradoxo, que denominei alhures o "paradoxo da eliminação" (Araujo, 2003): para eliminarmos a folk psychology de nossa futura teoria neurocientífica da mente, seria necessário utilizar a própria folk psychology para que os resultados das neuroimagens possam ser interpretados e a nova teoria, construída.

 

REFERÊNCIA - Araújo, Saulo de Freitas - (2003) Psicologia e Neurociência: Uma avaliação da perspectiva materialista no estudo dos fenômenos mentais.

qualia. Por Gustavo Leal Toledo

zumbi. Por Gustavo Leal Toledo

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