A Unidade do Conhecimento - Consiliência - Edward O. Wilson, Rio de Janeiro: Editora Campus, 1999. (Esgotado).
João de Fernandes Teixeira
Desde o início da época moderna, vários pensadores tentaram classificar e relacionar as diversas disciplinas científicas, buscando a unidade do conhecimento humano. Descartes procurou montar sua "árvore do conhecimento", classificando e relacionando as ciências e a filosofia; no século XIX, Augusto Comte e Herbert Spencer também se ocuparam desta tarefa, e no século XX, os neopositivistas propuseram a unidade metodológica da ciência e do conhecimento humano. Este mesmo projeto é, na atualidade, defendido por E. O. Wilson, professor aposentado da Universidade de Harvard e um dos fundadores da sociobiologia. O próprio título do livro já é polêmico: "Consiliência" - uma mistura das palavras "ciência" e "conciliação".
A proposta central é que a biologia deve ser o grande tronco unificador da árvore do conhecimento. Segundo Wilson, a biologia molecular e a teoria da evolução avançam cada vez mais em direção à uma explicação completa do comportamento humano. Num futuro próximo, todas as manifestações humanas - inclusive as simbólicas e culturais como a arte, a ética, e a religião - poderão ser explicadas através de nossa herança genética e evolucionária. A biologia preencheria o hiato entre as ciências da natureza e as ciências humanas, unificando-as sob uma mesma perspectiva. Haveria muito menos entre o céu e a terra ou entre o sublime e o animal do que nossa ética e nossa religião querem nos fazer acreditar.
Apesar da defesa veemente do determinismo genético, a primeira coisa que passa na mente (ou no cérebro?) do leitor mais atento é a percepção de que o autor não consegue demonstrar, passo a passo, como passamos dos genes e circuitos cerebrais para o sagrado e sublime. As teses de Wilson são ainda um enorme salto a partir de poucas evidências empíricas - uma espécie de "wishful thinking" ou especulação que um cientista rigoroso deveria evitar.
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