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O Paradoxo de Chalmers por Gustavo Leal Toledo
A consciencia e o espaço tridimensional por João de Fernandes Teixeira
O MAL ESTAR NA FILOSOFIA DA MENTE
João de Fernandes Teixeira
Filosofia da mente é um estilo de filosofar que nos últimos anos vem recolocando questões centrais da filosofia como: O que é o pensamento? Qual a natureza do mental? O que é consciência? Será o cérebro o produtor da mente? Ou apenas o seu hospedeiro biológico? Será que pensamos com nossa cabeça ou somente "em" nossa cabeça? Ou, em outras palavras, será que produzimos o mental ou apenas estamos nele?
Estas questões são autênticas indagações cotidianas. É neste sentido que a filosofia da mente apresenta-se como uma autêntica philosophia perennis, ou seja, uma inevitável inquietação humana. Esta parece basear-se na nossa percepção popular do mundo; de um mundo povoado por objetos físicos visíveis, com os quais não encontramos nenhuma similaridade com o que chamamos de mental. A ciência teria contribuído para reforçar esta assimetria, mostrando-nos que no cérebro não podemos identificar pensamentos, mas apenas neurônios e tempestade elétrica.
A data oficial do surgimento da filosofia da mente é 1949, ano em que foi publicado o livro clássico do filósofo inglês Gilbert Ryle, The Concept of Mind. Ryle achava que a idéia de mente seria uma excrescência, uma doença da nossa linguagem que teria pervertido nossa razão. A linguagem teria nos levado à ilusão de que, para além de nossas faculdades e disposições mentais haveria uma substância subjacente, comum a todas elas e que as coordenaria. Essa substância fantasmagórica foi indevidamente chamada de "mente" e, desde então, sobre essa pressuposição metafísica teriam nascido os emaranhados e insolúveis problemas da filosofia da mente.
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Aurora do Século XXI: Onde estamos? |
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De volta ao Século XIX
Por Bento Prado Jr.
(1937 - 2007)
Quando me propus tal tema, para esta conferência, tinha em mente um dos paradoxos de nossa contemporaneidade – o que há de fortemente regressivo nos processos desencadeados pelas novas tecnologias e pela nova economia – apenas no campo da filosofia. Cogitava exclusivamente na volumosa produção das chamadas cognitive sciences e pensava apontar como, em algumas de suas manifestações, tal literatura nos devolve à atmosfera do naturalismo de meados do século XIX, que exigiu vários “retornos a Kant”, bem como os esforços simultâneos de Bergson, de Husserl e de toda a linha da filosofia analítica . O paradoxo seria o seguinte: tudo se passa como se boa parte dos pensadores contemporâneos ignorassem todas as grandes obras do século XX. Hoje, muitos não se escandalizariam, apenas “modernizariam” a frase de Büchner, há 150 anos atrás, segundo a qual o cérebro seria uma espécie de “glândula” e o pensamento, sua “secreção”. Há poucos meses atrás, o recém-falecido e grande cientista Francis Crick (Prêmio Nobel e descobridor do DNA) anunciava triunfalmente ter descoberto a “célula” da alma, que punha por terra, definitivamente, com a autoridade da ciência positiva, uma visão religiosa do mundo e suas implicações como a imaterialidade e a imortalidade da alma. Como se as idéias de subjetividade, consciência e significação remetessem automaticamente ao espiritualismo e como se o monismo reducionista não fosse auto-contraditório.
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