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EM BUSCA DA MEMÓRIA – Eric Kandel. São Paulo, Companhia das Letras. 2009. Tradução de Rejane Rubino.
Resenhado por João de Fernandes Teixeira - maio 2010
Existe hoje em dia uma pergunta insidiosa que não parece poder ser calada tão cedo: será nossa consciência apenas um produto do cérebro? De nossos genes?
Essa é uma questão que tem longa história. Na filosofia da mente contemporânea ela aparece sob a forma de um debate acerca da validade do reducionismo. Reduzir, nesse caso, é rastrear uma determinada função cognitiva a algum tipo de mecanismo cerebral. O reducionismo tem sido a ideologia espontânea dos neurocientistas, sobretudo após o desenvolvimento das novas técnicas de neuroimagem e de eletrofisiologia do neurônio. São essas técnicas que permitem fazer os novos mapas do cérebro e localizar neles onde se manifesta a mente.
É com uma proposta desse tipo que Eric Kandel (prêmio Nobel de fisiologia ou medicina em 2002) abre seu livro Em busca da memória, recentemente traduzido para o português. Numa prosa agradável, ele nos relata a evolução da neurociência nos últimos 150 anos, começando com as descobertas de Galvani, de Ramón y Cajal (o neurônio) até chegar às suas próprias pesquisas. Kandel conta, então, como conseguiu, após anos de investigação, correlacionar os movimentos da Aplysia (um tipo de lesma marinha) com suas bases neuronais e moleculares. O movimento de que ele nos fala é o de retrair as guelras, que é correlacionado com mecanismos cerebrais e moleculares desse pequeno animal.
Encontrar um caminho cerebral para esse movimento da Aplysia consumiu boa parte da vida desse pesquisador. Ele nos fala da adoção do “método reducionista” nas suas pesquisas, algo que nada mais é do que o que se chama em ciência cognitiva de estratégia top down: começar pela identificação de um comportamento ou uma função cognitiva e ir, numa ordem descendente, em direção a seus correlatos neurais, bioquímicos, moleculares e genéticos. O pressuposto é o de que animais simples como a Aplysia podem servir de modelo para organismos mais complexos como os seres humanos.
O “método reducionista” nada mais é do que o que os filósofos da mente chamam, pura e simplesmente, de reducionismo. Mas Kandel não nos fala explicitamente de reducionismo. Mesmo assim, isso não passa despercebido para um leitor com alguma formação filosófica. Seria interessante perguntar por que Kandel não reconhece o peso de suas posições filosóficas, uma vez que em um dos capítulos do livro discute e mostra conhecimento sobre as posições de vários filósofos da mente.
Talvez isso ocorra pelo fato de o autor declarar, nas suas páginas de tom autobiográfico, que queria, originalmente, ser um psicanalista. Há um grande contraste entre passagens nitidamente reducionistas, como, quando ele nos fala da existência de um gene da sociabilidade e outras nas quais ele se preocupa em saber como as psicoterapias podem alterar o psiquismo e o comportamento das pessoas. A saída é admitir que terapias pela fala podem modificar o cérebro, da mesma maneira que medicações psiquiátricas.
Em busca da memória é um livro instigante e de leitura agradável. Estrategicamente Kandel mistura a narrativa autobiográfica com a exposição de temas centrais da neurociência. Essa tem sido uma estratégia muito adotada pelos autores de livros de ciência destinados a um público mais amplo; uma estratégia que, diga-se de passagem, é de inspiração cartesiana.
A inquietação que surge após a leitura desse texto origina-se, sem dúvida, de nossa relutância em aceitar a possibilidade de que sejamos apenas um pacote de genes. Isso pode causar profundo mal-estar. Richard Dawkins, no seu livro O gene egoísta já anunciava que não somos nada além de portadores e reprodutores de genes. Dessa perspectiva, o sujeito, o “eu” que nos acompanha é apenas uma ilusão. Psicólogos, psicanalistas e humanistas em geral não gostam nem querem ouvir isso. Para eles, o mental nunca poderia ser apenas um subproduto do cérebro.
Mas, e se for? Será que já não está na hora de reconhecermos essa possibilidade e a levarmos em conta nas nossas discussões sobre sujeito, moral e liberdade? Não será a liberdade verdadeira aquela que sabe o que a condiciona?
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A Unidade do Conhecimento |
A Unidade do Conhecimento - Consiliência - Edward O. Wilson, Rio de Janeiro: Editora Campus, 1999. (Esgotado).
João de Fernandes Teixeira
Desde o início da época moderna, vários pensadores tentaram classificar e relacionar as diversas disciplinas científicas, buscando a unidade do conhecimento humano. Descartes procurou montar sua "árvore do conhecimento", classificando e relacionando as ciências e a filosofia; no século XIX, Augusto Comte e Herbert Spencer também se ocuparam desta tarefa, e no século XX, os neopositivistas propuseram a unidade metodológica da ciência e do conhecimento humano. Este mesmo projeto é, na atualidade, defendido por E. O. Wilson, professor aposentado da Universidade de Harvard e um dos fundadores da sociobiologia. O próprio título do livro já é polêmico: "Consiliência" - uma mistura das palavras "ciência" e "conciliação".
A proposta central é que a biologia deve ser o grande tronco unificador da árvore do conhecimento. Segundo Wilson, a biologia molecular e a teoria da evolução avançam cada vez mais em direção à uma explicação completa do comportamento humano. Num futuro próximo, todas as manifestações humanas - inclusive as simbólicas e culturais como a arte, a ética, e a religião - poderão ser explicadas através de nossa herança genética e evolucionária. A biologia preencheria o hiato entre as ciências da natureza e as ciências humanas, unificando-as sob uma mesma perspectiva. Haveria muito menos entre o céu e a terra ou entre o sublime e o animal do que nossa ética e nossa religião querem nos fazer acreditar.
Apesar da defesa veemente do determinismo genético, a primeira coisa que passa na mente (ou no cérebro?) do leitor mais atento é a percepção de que o autor não consegue demonstrar, passo a passo, como passamos dos genes e circuitos cerebrais para o sagrado e sublime. As teses de Wilson são ainda um enorme salto a partir de poucas evidências empíricas - uma espécie de "wishful thinking" ou especulação que um cientista rigoroso deveria evitar.
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[The modularity of mind, Jerry A. Fodor, 10.ª ed., Cambridge, Massachusetts: Bradford Books, 1996]
Por: André Sathler Guimarães (
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), doutorado em filosofia pela Universidade Federal de São Carlos.
Fodor realiza, em uma obra relativamente pequena (144 pp), um grande passo na conquista científica da mente, ao propor uma explicação coerente e plausível para várias de suas funcionalidades. O autor introduz a noção de processos psicológicos verticais e modulares, como base para comportamentos biológicos coerentes.
A obra inicia discorrendo sobre quatro aspectos da estrutura mental, a partir da compreensão do autor de que a organização do comportamento é um fator derivado da estrutura mental e não vice-versa. Nesse tópico, explica as chamadas faculdades mentais horizontais (i.e. memória, julgamento), que vêm sendo relativamente bem pesquisadas no campo da psicologia. Invariáveis, as faculdades horizontais se aplicam às variadas situações (portanto não são domínio-específicas) e são "sistemas cognitivos distintos funcionalmente, cujas operações cruzam domínios de conteúdo" (p. 13). Fodor assume os processos mentais como computacionais, além de cognitivos, ou que todo processo cognitivo é um processo computacional, pois, para ele, uma função típica dos mecanismos cognitivos é realizar a transformação de representações mentais.
Continuando a obra, Fodor indica (e dá o devido crédito) o trabalho de Franz Joseph Gall como fonte inspiradora de seu conceito de faculdades verticais. Gall foi o fundador da frenologia e seu trabalho recebeu bastante descrédito por conta disso, quando a própria frenologia foi desacreditada. Para Gall, uma faculdade vertical é domínio-específica, geneticamente determinada, associada à estruturas neurais distintas e (já na visão de Fodor) computacionalmente autônoma.
O fato de ser domínio-específica, ou seja, suas operações não cruzam domínios de conteúdo, faz com que um sistema cognitivo vertical aplique-se somente a determinado tipo de situação.Ser geneticamente determinado significa que o sistema independe de um processo de aprendizado. Não são montados, no sentido de que não são resultado do acúmulo de subprocessos mais elementares. São hardwired, ou associam-se diretamente a sistemas neurais específicos, localizados e estruturalmente elaborados. E são computacionalmente autônomos. Um sistema cognitivo com essas características é, para Fodor, um módulo, que, por sua vez, não deixa de ser uma espécie de faculdade vertical.
Uma visão de mente que contemple a questão dos módulos, na perspectiva apresentada por Fodor, assemelha-se a um canivete suíço, que pode apresentar diversas lâminas para diferentes tarefas, cada uma das lâminas sendo resultado do processo evolutivo específico da espécie. Fodor prossegue destacando que os sistemas cognitivos modulares compartilham um certo papel funcional na vida mental dos organismos e propõe uma taxonomia funcional para os mesmos: sistemas subsidiários e sistemas centrais.
Os principais candidatos a sistemas subsidiários são os sistemas perceptuais, ou de "entrada" de dados. Fodor passa então a dedicar boa parte do livro à demonstração de como os sistemas de entrada preenchem adequadamente os requisitos para serem considerados modulares.
Já caminhando para a conclusão da obra, o autor fala dos sistemas centrais, que seriam as faculdades horizontais. Para Fodor, os sistemas centrais não são modulares (e, portanto, desencapsulados informacionalmente) e representam o local de interface das representações oriundas dos diversos sistemas de entrada. O autor realça a importância da existência desses sistemas desencapsulados: "a domínio-especificidade tem a ver com o leque de questões para as quais um dispositivo fornece respostas (o leque de inputs para os quais ele computa análises); enquanto que o encapsulamento tem a ver com o leque de informações que o dispositivo consulta ao decidir quais respostas fornecer".
Segundo Fodor, os sistemas centrais "olham" para os dados entregues pelos sistemas subsidiários, então "olham" para o que existe na memória, e usam essa informação para restringir a computação às melhores hipóteses sobre como a realidade é de fato. Na verdade, as explicações que o autor dá para os sistemas centrais permanecem inconclusivas e lembram o teatro cartesiano. Em sua defesa, pode-se dizer que o autor assume explicitamente essa fraqueza: "quanto mais global um processo cognitivo é, menos se consegue entendê-lo. Processos muito globais, como o raciocínio analógico, não são compreensíveis de nenhuma maneira" (p. 107).
Ciente dessas limitações, o autor prevê progressos na compreensão científica dos sistemas subsidiários, inclusive com a possibilidade de identificação de correlatos neurais a essas funções (token-identity). Mas assume que quase nada se sabe sobre o que acontece nos sistemas centrais. Ou seja, nas palavras do próprio autor, "o fantasma foi lançado mais para o fundo da máquina, mas ainda não foi exorcizado" (p. 127).
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Para a filosofia moderna, é difícil traçar um quadro satisfatório do lugar que as mentes ocupam no mundo. Este livro de McDowell é admirável, não apenas pela penetração que demonstra e pela iluminação que oferece, mas também pela profunda sensibilidade que tem para com a história do pensamento em geral, e da filosofia em particular, desde a Antigüidade até os dias de hoje.
Oferece uma abordagem das fontes intelectuais mais profundas dos problemas constitutivos da filosofia 'moderna'. Sutil e penetrante, num estilo sucinto e cheio de elegância, se o livro nem sempre é de leitura fácil, isto se deve à profundidade e à dificuldade dos problemas com os quais o autor se debate, bem como à ambição da tarefa que propôs a si mesmo: redesenhar nossa imaginação filosófica, e nosso sentido do espaço das possibilidades intelectuais. Todos os que chegam ao final do livro têm a sensação de que percorreram um território filosófico novo. Velhos problemas recebem um tratamento surpreendente, original e profundo. Vale a pena conhecer o panorama aberto por esta obra.
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SOBRE BRAINSTORMS DE DANIEL DENNETT
João de Fernandes Teixeira
Jornal Folha de São Paulo, Caderno Mais! 20 de agosto de 2006
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Antes tarde do que nunca. Finalmente chega ao público brasileiro a tradução do livro mais importante do filósofo americano Daniel Dennett. Publicada no início da década de oitenta, ele apresenta sua teoria da mente - que servirá de fio condutor para toda sua produção filosófica posterior. Embora a ordem na qual foram publicadas as traduções brasileiras de Dennett não deixe transparecer, há dois temas centrais na filosofia dennettiana: mente e consciência. Enganam-se aqueles que supõem serem suas maiores preocupações a evolução (A Idéia Perigosa de Darwin), a cognição animal (Tipos de Mentes) ou até, mais recentemente, sua reflexão sobre a natureza da religião, em obra ainda não traduzida.
O Dennett de "Brainstorms"é o discípulo e herdeiro das teorias de Ryle e de Quine. O título deste livro já é, em si, instigante. "Brainstorm" é uma palavra difícil de traduzir e designa a surpresa acachapante do "insight". E, de fato, o que encontramos ao percorrer esta coletânea são ensaios intempestivos sobre temas diversos da filosofia da mente e da psicologia, passando pelo sonho, pela consciência, pela crítica impiedosa de Skinner (de quem Dennett quer, estrategicamente, manter distância) além de muitos outros.
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As Tecnologias da Inteligência |
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Artigo de João de Fernandes Teixeira [Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo, janeiro de 1995).
Em "As tecnologias da Inteligência" (Pierre Levy) e "Imagem-Máquina" (André Parente) filosofia se rende a novos temas.
Há alguns anos, quando encontrei o filósofo norte-americano Roderick Chisholm, perguntei a ele o que achava da Inteligência Artificial e lembro-me que ele respondeu: "Ah! Essa é uma teoria segundo a qual até uma caixa registradora pode ter estados mentais". A resposta irônica certamente queria desfazer uma visão mistificada que muitas pessoas têm em relação a essa disciplina e às próprias potencialidades da tecnologia. Do outro lado do espectro há aqueles (em geral os pseudo-intelectuais do tipo blasé) que têm verdadeiro horror da tecnologia e a identificam com uma verdadeira caixa de Pandora da qual só poderiam emergir males e moléstias para a humanidade. Mas não é nenhuma dessas posições que encontramos nos livros de Pierre Levy, As Tecnologias da Inteligência, e de André Parente, Imagem-Máquina.
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Resenha do livro "A Nova Ciência da Mente" de Howard Gardner, por João de Fernandes Teixeira
O livro de Howard Gardner, “A Nova Ciência da Mente”, publicado nos Estados Unidos em 1985 e que agora aparece traduzido para o português, tem por objetivo fornecer ao leitor um amplo e detalhado panorama de uma novíssima disciplina científica, a ciência cognitiva. Esta se constitui num campo de conhecimentos essencialmente interdisciplinar, recebendo contribuições da psicologia, da ciência da computação, da lingüística, da filosofia e da antropologia, numa tentativa de explicar a natureza da vida mental humana.
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Temas actuales de filosofia de la psicología - Eduardo Rabossi (org.) Catálogos S.R.L.
Resenha de João de Fernandes Teixeira
Estamos diante de uma obra de grande porte. Uma iniciativa louvável tanto pela sua unidade como pela sua diversidade. À unidade temática que junta num só volume os principais problemas da filosofia da mente contemporânea contrapõe-se a diversidade de tratamentos dados a cada um deles. Isto faz com que a obra espelhe, com grande riqueza, a produção filosófica latino-americana nesta área - uma lacuna que precisava urgentemente ser preenchida. Digo latino-americana não porque abarque o continente, mas pelo fato de nela encontrarmos artigos nas duas grandes línguas da América do Sul: o espanhol e o português brasileiro.
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THE MYSTERY OF CONSCIOUSNESS, John R. Searle (1997), New York, NY: NYREV.Inc.
Resenha de João de Fernandes Teixeira
Não se deve esperar muitas novidades deste livro de J. Searle, datado de 1997 mas publicado no início de 1998. Nele, o autor reúne uma série de artigos sobre o problema filosófico da consciência, publicados no New York Review of Books entre 1995 e 1997. Seis autores e suas teorias são examinados e criticados por Searle: Francis Crick, Gerald Edelman, Roger Penrose, Daniel Dennett, David Chalmers e Israel Rosenfield. Todas as críticas de Searle têm um pano de fundo comum: sua própria teoria de que a consciência resulta das propriedades biológico-causais do cérebro. Todos aqueles que não partilham deste ponto de vista estão, no entender de Searle, defendendo teorias erradas ou incompletas.
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[Originalmente publicado no jornal A Folha de S. Paulo, Caderno Mais, em junho de 2001 com o título "Assombrações da Pós-Modernidade"].
Por João de Fernandes Teixeira
A bibliografia filosófica contemporânea em língua brasileira acaba de ganhar dois novos títulos. Depois da tradução de Daniel Dennett e John Searle agora é a vez de Thomas Nagel. Dentre os filósofos americanos vivos, Nagel é aquele que se caracteriza por remar contra a maré. Tornou-se famoso pelo seu artigo “O que é ser como um morcego”, publicado em 1974. Avesso ao materialismo e especialmente ao fisicalismo que dominam a filosofia da mente do século XX, Nagel defende a irredutibilidade da mente ao cérebro e a inefabilidade das experiências subjetivas. Estas escapariam da descrição do mundo feita pela ciência, num vocabulário essencialmente intersubjetivo.
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Linguagem, Instinto e Evolução |
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[publicado no Caderno Mais do jornal Folha de S. Paulo, sob o título "A seleção natural da sintaxe" em agosto de 2002]. Por João de Fernandes Teixeira
Falar sobre linguagem pode se tornar uma tarefa bastante estranha. Afinal de contas, estamos confinados na nossa própria linguagem e não podemos falar dela a não ser usando-a, ou seja, falar sobre como ela funciona já a pressupõe. Tentar traçar suas origens, ou seja, contar a história de sua aparição também só pode ser feito por alguém que já possua alguma linguagem. Usar a linguagem para falar dela ou para montar uma história de suas origens pode se tornar apenas um exercício de imaginação, pois sua aparição não foi precedida por nenhum tipo de fóssil lingüístico ou pré-lingüístico que poderíamos um dia descobrir. Tudo se passa como se estivéssemos num pequeno bote em alto mar, sem poder desmontá-lo para saber como foi construído.
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Por João de Fernandes Teixeira
[Publicado originalmente no Caderno Mais do jornal "Folha de S. Paulo" em março de 2005].
Howard Gardner é um psicólogo famoso da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Chefia o “Projeto Zero”, um grande programa de investigação que, ao longo dos anos tem procurado descobrir os mecanismos da criatividade e da aprendizagem para estudar reformas curriculares nas escolas. Árduo defensor do cognitivismo, seus estudos concentraram-se, nos últimos tempos, sobre a natureza da inteligência, mostrando que sob este termo abriga-se uma pluralidade de faculdades e não apenas algo que poderia ser captado pela métrica dos testes de Q.I.
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Investigando a mente e a inteligência |
[publicado originalmente com o título "Em busca da integração" no Jornal de Resenhas da Folha de S. Paulo em janeiro de 1999]. Por João de Fernandes Teixeira
Nascida de uma rejeição ao behaviorismo, a Ciência Cognitiva tem pouco mais de 40 anos. O objetivo desta disciplina é o estudo da mente tomando como ponto de partida uma analogia entre funcionamento mental e programas computacionais. Um projeto essencialmente interdisciplinar, que torna a Ciência Cognitiva a intersecção entre várias outras disciplinas, como a Psicologia, a Linguística, a Ciência da Computação, a Filosofia e a Antropologia.
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Sujeito em Primeira Pessoa - publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, em maio de 2004. Por João de Fernandes Teixeira.
David Chalmers e Thomas Nagel são os dois filósofos da mente contemporâneos que, remando contra a maré, resolveram defender seriamente o dualismo mente-cérebro. Neste livro publicado em 1986 e agora traduzido para o público brasileiro, Nagel aborda uma das questões centrais que motivam sua posição dualista: a irredutibilidade da perspectiva em primeira pessoa para uma perspectiva em terceira pessoa. Em outras palavras, a experiência subjetiva seria irreconciliável com o discurso da ciência, sempre público e em terceira pessoa. A experiência subjetiva é incompatível com a visão científica do mundo que tem uma perspectiva definida; a visão do sujeito tem a peculiaridade de não estar em nenhum lugar definido porque nos acompanha e pode estar em todos os lugares. A visão subjetiva é como um olho desencarnado que olha para o mundo, uma visão a partir de lugar nenhum e que paradoxalmente, poderíamos dizer que está “em toda parte e nenhuma”, lembrando do título de um famoso artigo de Merleau-Ponty.
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[Publicado no Caderno Mais! da Folha de S. Paulo em março de 2006, sob o título "O Chomsky Fundamental]. Por João de Fernandes Teixeira
Por uma iniciativa pioneira da editora da UNESP o público brasileiro já pode contar com a tradução deste livro de Noam Chomsky, obra sobre temas lingüísticos, mas que ao mesmo tempo toca em temas centrais da filosofia da mente e da ciência cognitiva. É uma coletânea muito bem vinda, que assegura ao autor, mais uma vez, o lugar de um dos maiores lingüistas da contemporaneidade, depois de suas intermináveis incursões pelos campos da política e do discurso politicamente “engagé”.
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