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Filosofia da mente é um estilo de filosofar que nos últimos anos vem recolocando questões centrais da filosofia como: O que é o pensamento? Qual a natureza do mental? O que é consciência? Será o cérebro o produtor da mente? Ou apenas o seu hospedeiro biológico? Será que pensamos com nossa cabeça ou somente “em” nossa cabeça?
A data oficial de seu surgimento é 1949, ano em que foi publicado o livro clássico do filósofo inglês Gilbert Ryle, “The Concept of Mind”. De lá para cá a filosofia da mente se expandiu muito, estabelecendo interfaces com várias outras disciplinas filosóficas como a filosofia da ciência, a filosofia da linguagem, e a filosofia da psicologia. Sua característica distintiva é constituir-se numa investigação impura, na qual a filosofia se alia às ciências que investigam empiricamente os fenômenos mentais.
Dois grandes movimentos científicos interessam aos filósofos da mente: a neurociência, principalmente depois da descoberta da neuroimagem e a inteligência artificial, que mais recentemente tornou-se ciência cognitiva. A inteligência artificial quis produzir máquinas pensantes, a neurociência quis fotografar a consciência, localizando-a num ponto específico do cérebro. Nenhum desses projetos foi concluído, mas ambos vêm tendo conseqüências profundas sobre as comunidades científica e filosófica.
Atualmente a filosofia da mente é um rizoma bibliográfico imenso, com milhares de artigos e livros publicados. Seus autores são, na sua maioria, cientistas-filósofos ou filósofos cientistas.
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A missão desta página é disponibilizar material sobre filosofia da mente em língua portuguesa. Será um espaço para troca de informações sobre novas publicações e eventos na área.
Novidades no site
Nas primeiras semanas de setembro próximo, estará nas livrarias um novo livro do Prof. João Teixeira, COMO LER A FILOSOFIA DA MENTE, publicado pela Editora Paulus. É um texto introdutório que apresenta os principais temas da filosofia da mente em linguagem acessível, para ser usado principalmente por estudantes de graduação. Leia o primeiro_capitulo
O livro "Mentes e Máquinas: uma introdução à Ciência Cognitiva" publicado pela editora Artes Médicas está disponibilizado em arquivo de formato pdf. O arquivo contém o texto na íntegra. Clique no último item da coluna à direita.
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Aurora do Século XXI: Onde estamos? |
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De volta ao Século XIX
Por Bento Prado Jr.
(1937 - 2007)
Quando me propus tal tema, para esta conferência, tinha em mente um dos paradoxos de nossa contemporaneidade – o que há de fortemente regressivo nos processos desencadeados pelas novas tecnologias e pela nova economia – apenas no campo da filosofia. Cogitava exclusivamente na volumosa produção das chamadas cognitive sciences e pensava apontar como, em algumas de suas manifestações, tal literatura nos devolve à atmosfera do naturalismo de meados do século XIX, que exigiu vários “retornos a Kant”, bem como os esforços simultâneos de Bergson, de Husserl e de toda a linha da filosofia analítica . O paradoxo seria o seguinte: tudo se passa como se boa parte dos pensadores contemporâneos ignorassem todas as grandes obras do século XX. Hoje, muitos não se escandalizariam, apenas “modernizariam” a frase de Büchner, há 150 anos atrás, segundo a qual o cérebro seria uma espécie de “glândula” e o pensamento, sua “secreção”. Há poucos meses atrás, o recém-falecido e grande cientista Francis Crick (Prêmio Nobel e descobridor do DNA) anunciava triunfalmente ter descoberto a “célula” da alma, que punha por terra, definitivamente, com a autoridade da ciência positiva, uma visão religiosa do mundo e suas implicações como a imaterialidade e a imortalidade da alma. Como se as idéias de subjetividade, consciência e significação remetessem automaticamente ao espiritualismo e como se o monismo reducionista não fosse auto-contraditório.
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